Crónica/Rescaldo: Portugal Rugby Youth Festival 2010

* INTRODUÇÃO

Resumir tudo quanto se passou num enorme recinto em dois dias de festival num só artigo não é, por si só, tarefa fácil. Foram mais de 180 jogos, cerca de 18 horas de competição espalhadas por um fim-de-semana em que o rugby nacional, dos sub18 para baixo, esteve sediado no Jamor.
Em vez de abordarmos por dia, tudo quanto se passou nesta segunda edição do Portugal Rugby Youth Festival, algo muito difícil de fazer, pois a nossa cobertura não se estendeu a todos os jogos e eventos realizados, e acreditem, que foram muitos, nos dois dias de competição. Assim sendo, neste artigo falaremos um pouco das competições por escalão e mencionaremos, num curto aparte, as actividades mais importantes.
Antes disso, todavia, importa saudar e reconhecer o soberbo trabalho da organização do festival, tanto na sua componente logística, que reuniu individualidades de vários quadrantes da comunidade nacional, como na componente técnica deste evento, assegurada pela equipa da Associação de Rugby do Sul.
O grupo liderado pelo Prof. Mário Pato, Director Técnico Regional do Sul, trabalhou sem parar para que, na organização dos jogos, nos quadros competitivos, gestão do tempo e campos disponíveis e, tão ou mais importante, na publicação atempada dos resultados.
Nunca antes tinha sido dado o devido reconhecimento a estes senhores e senhoras que, de forma altruísta e com resultados fantásticos, visíveis nos vários convívios da ARS que de há anos para cá se têm vindo a realizar muito bem graças a este grupo de trabalho.
Do mesmo modo se deve reconhecer, aos senhores da Move Sports e a quem colaborou com a organização, que até aqui em Portugal nenhum evento desta dimensão havia sido organizado, uma lacuna preenchida no ano passado e que com o bom trabalho destes indivíduos fica agora colmatada, tendo a divulgação do rugby nacional uma ajuda neste Portugal Rugby Youth Festival.


* SUB - 12

O primeiro dia dos mais novos teve jogos com vitórias para quase todos os conjuntos, sendo que alguns clubes, como o Rugby Vila da Moita ou a Escolinha de Rugby da Galiza viram os seus esforços e treinos compensarem, obtendo vitórias frente ao Pontevedra e ao Clube de Rugby de Évora, respectivamente.
Os jovens da Vila da Moita e de São João do Estoril trabalham, como é conhecido, com algumas dificuldades, sendo que por isso só o facto de comparecerem com várias equipas no festival (a ERG com duas e o RVM com três) é um vitória para os dois conjuntos.
Nos outros jogos, destaque para as vitórias dos 'grandes' do rugby nacional, como o Belenenses, a Agronomia, o Direito e o CDUL, tendo os jovens do Técnico surpreendido pela positiva. No que concerne às equipas estrangeiras, existem duas prestações muito boas a destacar, a dos ingleses do Buffalo RFC e a dos espanhóis do Sevilha; e uma menção honrosa que deve ser feita ao salientarmos a presença da única equipa não europeia no festival, a do Peterson SC.
O conjunto proveniente do Sri Lanka (o antigo Ceilão, uma ilha do Oceano Índico, situada ao lado da Índia), é composto por descendentes de portugueses e veio até Lisboa apenas para participar nesta prova. Estes jovens simpáticos, de uma cultura e realidade bem diferente da nossa, devem ser saudados por, não obstante as três derrotas no primeiro dia, terem encarado com fair-play e boa disposição o desfecho desta ronda inicial.
Os jogos de Domingo, mais equilibrados, foram dotados de uma particularidade muito invulgar nos convívios para os sub-12: a de definirem uma classificação final. Este objectivo não nos parece importante nos jogos dos mais novos, mas neste caso deu um significado diferente à experiência destes pequenos atletas que, por uma vez na temporada, competiram pelo melhor lugar possível na classificação geral.
No final do segundo dia, três das cinco equipas estrangeiras lutavam pelos oito primeiros postos da tabela, sendo que os jovens portugueses mostraram novamente o seu valor, vencendo todas as finais menos a principal, disputada entre o Belém e os ingleses do Buffalo RFC. Neste encontro, muito disputado (tal como a partida para o 3º e 4º lugar), apenas um ensaio separou os 'azuis' do Restelo dos vencedores daquele escalão, o conjunto inglês, um justo vencedor. Importa destacar a excelente prestação do finalista vencido, o Belenenses, que sofreu a primeira derrota (num prolongamento extremamente desgastante e decidido em morte súbita) da época aqui no Youth Festival, tendo derrotado as principais equipas estrangeiras no decorrer da prova (e as nacionais durante a época), representando muito bem o rugby português sub12 nesta final.


* SUB - 14

Se existia um escalão em que as equipas presentes despertaram curiosidade, este foi o dos Sub14. A presença das três selecções regionais portuguesas e de equipas conhecidas, como é o caso dos Penzance Pirates, abrilhantaram uma prova que contou ainda com os principais clubes nacionais. Podíamos, à priori, argumentar que, num torneio de clubes, a presença de selecções regionais constitui uma vantagem injusta para os demais participantes.
Fica por analisar se a preparação dos conjuntos da ARN, CRRC e ARS se podia efectuar sem a presença no Youth Festival, uma questão importante que aqui não podemos (por ora) responder. Todavia, devemos salientar que a variedade de emblemas representados através da convocatória para estas selecções regionais, justifica só por si a sua presença, isto tendo também em conta que as três vagas abertas pelas selecções regionais seriam sempre insuficientes para acolher todos os clubes portugueses representados nestas que não trouxeram uma equipa até ao PRYF.
A fase de grupos, disputada no Sábado, nos Campos Skip e Lipton Ice Tea foi muito interessante, com partidas para todos os gostos, das quais apreciámos especialmente três. A primeira foi a vitória dos Pirates sobre o Cascais, um triunfo do superior rugby dos ingleses sobre uns jovens da Linha muito lutadores, e a segunda foi o embate entre o Direito e a Selecção Regional do Norte, muito forte e dotada, mas incapaz de parar um jovem atleta (futuro ponta, pelo poder e velocidade que a arrancada dele possuí) de Monsanto, responsável por dois ensaios lindos que fizeram a diferença no resultado final.
Por fim, o terceiro encontro supra citado foi o "jogão" entre os Bucaneers e a Selecção Regional do Centro, uma partida que teve como ponto alto os dois ensaios de um excelente jogador (um avançado muito forte e rápido) português, duas arrancadas que marcaram uma vitória folgada de um conjunto onde se notou o trabalho bem feito na combinação (com sucesso) entre o jogo ao largo e o jogo agrupado.
Dos restantes grupos importa destacar o domínio exercido pelo 'quinze' da Associação de Rugby do Sul, que venceu confortavelmente as partidas desta fase, e a agradável surpresa que constituiu a prestação dos sub14 da Escolinha de Rugby da Galiza. Os jovens da ERG derrotaram o histórico Évora e o Clube de Rugby de Madrid, perdendo apenas, no seu grupo, para a equipa da ARS que, numa fase inicial, aparentava estar uns furos acima de todos os outros conjuntos presentes.
O Domingo começou com o CDUL e o Belenenses a mostrarem que, dos terceiro e quarto classificados do dia anterior, eram os mais fortes, ultrapassando conjuntos como o CRÉ (Évora) e o Liceu Francês (de Madrid) no caminho para a final que lhes daria o melhor lugar possível na classificação final (o 9º ou o 10º lugar). No derradeiro jogo, disputado entre os 'azuis' do Restelo e os 'universitários' de Lisboa, prevaleceram, pela margem mínima, os jovens do CDUL.
No que diz respeito aos jogos para os lugares do topo (1º ao 8º classificado) é justo afirmarmos que poucos conjuntos conseguiram estar à altura das três selecções regionais portuguesas presentes. Destes acima referidos, temos que destacar os Penzance Pirates, um dos favoritos à vitória final, que eliminou nos 'quartos' a ARN, perdendo nas 'meias' com a ARS; e o Cascais, segundo no seu grupo, afastou o Direito nos 'quartos' e caiu às mãos do Rugby do Centro (pese embora o empate) nas meias finais, ficando assim posicionado para um 'rematch' contra os Pirates no jogo para o 3º e 4º lugar.
Pese embora o bom esforço e percurso dos cascaenses, a turma da Guia foi derrotada de novo pelos atletas ingleses, o único conjunto estrangeiro a apurar-se para as meias finais. A grande final foi disputada no principal campo de rugby do Jamor, o espaço onde se disputaram metade das partidas dos Sub-18, tendo recebido o jogo entre as Selecções Regionais do Sul e do Centro, duas das mais fortes equipas presentes naquele escalão. A vitória acabou por sorrir para a equipa da Associação de Rugby do Sul, invicta e justa vencedora de uma prova que dominou, do princípio ao fim.


* ACTIVIDADES PARALELAS

Num espaço paralelo ao dos campos de rugby onde se disputaram os jogos do festival realizaram-se várias actividades, organizadas pelos principais patrocinadores do evento.
As tendas que albergaram a zona de alimentação ou o Coaches Corner, um espaço restrito para alguns convidados, técnicos das várias equipas e membros da organização, tinham também áreas destinadas ao entretenimento dos atletas e destes, em especial dos mais novos, que podiam fazer karaoke, pintar as bolas do evento e interagir com as mascotes do Sapo ou da Meo.
Das restantes áreas e actividades, resta-nos mencionar que no segundo dia de jogos, o antigo Seleccionador Nacional, o Prof. Tomaz Morais, esteve presente numa sessão de autógrafos, comparecendo também no Sábado para assistir a algumas partidas da tarde. A Adidas, o principal fornecedor de equipamentos da Selecção Nacional, esteve presente com um ponto de venda, onde para além das Camisolas dos Lobos, estavam disponíveis camisolas do British & Irish Lions, da Argentina e dos All Blacks.
Finalmente, naquela que foi sem dúvida a apresentação mais importante do fim-de-semana, a Federação Portuguesa de Rugby, por meio dos Professores Henrique Rocha e Nuno Gramaxo, apresentou o Projecto Força 8. Todos sabemos que os portugueses, e isto reflecte-se em todos os desportos que dependem de uma forte componente física, não são propriamente um povo alto e largo, em comparação com os nossos adversários do centro, norte e leste da Europa.
No rugby, pese embora enormes progressos e a naturalização de elementos argentinos e franceses (por exemplo) no nosso 'quinze' nacional, continuamos, como é natural, a ser mais pequenos do que os jogadores das outras selecções, nomeadamente do que os atletas das selecções de topo no panorama internacional da modalidade.
Assim sendo, todos os esforços feitos para trabalhar a área dos avançados nos vários escalões, um sector onde precisamos do apoio e conhecimento de treinadores como Murray Henderson, preciosa ajuda aos Lobos desde o Mundial de 2007, devem ser saudados e divulgados, posto que abordaremos mais tarde o projecto e este tema de forma mais profunda, ficando por ora aqui anunciado a sua apresentação durante a tarde do primeiro dia do Youth Festival.


* SUB - 16

De volta aos jogos, e agora com os Sub16, um escalão em que muitos dos principais atletas portugueses estavam ausentes, com a participação no Estágio FIRA, a decorrer ao mesmo tempo que o PRYF, com a preparação para o antigo Torneio de Millfield, este ano a realizar-se em Wellington, ainda em Inglaterra (para quem estará a perguntar-se se não nos estamos a referir à capital da Nova Zelândia), e convocados para a Selecção Nacional de Sub16, a grande favorita à vitória final neste escalão e uma invulgar presença no festival.
Esta prova teve, nos quatro grupos, uma equipa que desde cedo se estabeleceu como a mais forte, aquela que, não sendo um "cabeça de série", dificilmente falharia as meias-finais de Domingo. No grupo A, os irlandeses do Greystones RFC mostraram-se mais fortes do que o Técnico, o Santarém e o Belenenses, ficando estas três equipas condenadas a lutarem pelo segundo lugar. Tendo o Técnico derrotado o Santarém, e com o Belém a sair vencedor de um renhido encontro com os atletas das Olaias, tudo indicava que, com o último jogo a ser entre os homens do Restelo e os escalabitanos, uma formalidade separava apenas os lisboetas da fase final.
Não podíamos estar mais enganados. Os atletas do Santarém surpreenderam tudo e todos e, vencendo o encontro por uma diferença de apenas três pontos, deixaram a classificação do grupo empatada, em termos de pontos, para o segundo lugar. Tendo em conta que os jovens do Ribatejo eram a equipa com melhor registo disciplinar dos três conjuntos acima mencionados, assistimos aqui à grande surpresa do dia.
No grupo B, o "grupo da morte" para este escalão, os actuais Campeões Nacionais, Cascais, os líderes do Campeonato 09/10, o Direito, e a sempre aguerrida equipa do CDUL mediam forças com os madrilenos do Liceu Francês, estando todos os cenários em aberto no que a previsões diz respeito. Até aqui, falámos de previsões. Nos campos Move Sports, CM Oeiras, TMN e Adidas (estes dois últimos campos ocupados para as últimas partidas do primeiro dia), quem mandou foram os jovens do Grupo Desportivo que "sem espinhas" venceram os seus jogos na primeira fase.
Contra o segundo classificado, o Liceu Francês de Madrid, devemos salientar a boa exibição que tanto Cascais como CDUL produziram, em especial os universitários de Lisboa que, de forma muito corajosa, deram até final luta aos espanhóis, recusando-se a aceitar a derrota e carregando em busca do ensaio e de uma vitória, que até então, apenas tinha sido obtida contra o Cascais.
O grupo C emparelhou duas equipas estrangeiras com um conjunto muito novo e em busca de experiência, o Vitória de Setúbal (a Académica não compareceu na prova deste escalão com uma equipa, apesar de estar prevista a sua participação). O Ardingly College foi claramente a melhor equipa das três, destacando-se a boa prestação dos 'nuestros hermanos' do Alcobendas, um emblema com muita tradição no rugby espanhol. Quem observar os resultados pensará que o Setúbal, derrotado nos dois jogos de forma clara, não merece reconhecimento por um desempenho que, no ponto de vista dos resultados, não foi o melhor. Não é essa a nossa opinião, pois vimos um conjunto de atletas bastante novos e sem as rotinas e experiência dos 'quinzes' estrangeiros, enfrentar de igual para igual e sem medos equipas bem mais fortes.
Por fim, no grupo D, a expressão "Vini, Vidi, Vici" aplicou-se (e de que forma) ao trajecto da Selecção Nacional Sub16. O técnicos João Moura, Henrique Garcia e Francisco Branco devem ter ficado satisfeitos com a prestação dos seus atletas, que pouca ou nenhuma hipótese deram a Agronomia, CDUP e Palmerston RFC, relegados para uma luta (algo injusta, tendo em conta a diferença entre os clubes e a selecção) pelo segundo lugar. Destaque para o CDUP, que se saiu melhor deste combate a três, tendo todavia um jogo difícil contra os ingleses, que ficaram afastados dos 'quartos' por um ensaio, isto depois de, mais cedo, terem derrotado por uma margem mais pequena (quatro pontos) a formação da Tapada.
Nos jogos do segundo dia, as Finais, tanto CDUL como o Técnico mostraram que talvez merecessem um destino melhor na classificação geral, vencendo os seus jogos e obtendo o 9º e 13º lugar, respectivamente. Voltamos a destacar a prestação dos jovens de Setúbal, conjunto que participa na Segunda Divisão Nacional e que no Domingo competiu contra o CDUL e o Belenenses com valor e determinação, se bem que sem a capacidade para sair do Jamor com uma vitória, condição partilhada pela Agronomia e que o Cascais evitou, derrotando, no seu último jogo, os 'verdes' da Tapada da Ajuda.
Abordando agora os quartos de final deste escalão, a presença surpresa foi claramente a do Santarém, mas quem surpreendeu foram os atletas do Porto, os guerreiros do CDUP, que derrotaram o Greystones e juntaram-se ao Direito nas meias finais. Os 'advogados', tal como os jogadores do Ardingly, ultrapassaram adversários difíceis e venceram partidas renhidas para estarem presentes nas 'meias'. Nestas, o Direito superou um surpreendente CDUP, duas excelentes equipas, e passou para a final, onde enfrentaria a Selecção Nacional, que venceu o primeiro jogo sem dificuldade.
Uma última nota para mencionar que o Santarém, oitavo classificado no ranking final, teve um excelente resultado no jogo contra o Liceu Francês e para saudar os dois finalistas, em especial o Direito, o único 'quinze' a conseguir marcar um ensaio aos jovens Lobos, os grandes vencedores deste escalão.
É necessário repensar se se justifica a presença de um conjunto tão dominante, não sendo este um clube, elogiando não obstante aquilo que foi uma prestação que roçou a perfeição, composta por seis vitórias, oito pontos sofridos e um assustador total de cento e oitenta e oito pontos marcados, sobretudo se tivermos em conta que os jogos tiveram (apenas) a duração de 30 minutos (duas partes de 15'), com as finais a durarem 24 minutos (2 x 12') e a grande final a ter a duração inicialmente apresentada.


* SUB - 18

Finalmente chegámos ao escalão dos mais velhos, neste Portugal Rugby Youth Festival: os Sub18. Tal como os Sub16, nesta prova tivemos a presença de uma Selecção Nacional, neste caso a Selecção Sub17 de Espanha (recordamos que no país vizinho, os escalões competitivos são ordenados em função de anos ímpares), clara favorita, juntamente com os ingleses do Bath e com os galeses do Crawshays à conquista do primeiro lugar na classificação final.
Das equipas portuguesas, limitadas pelas actividades das selecções de sub17 (Estágio FIRA e Torneio de Wellington) e sub18 (Campeonato Europeu), tínhamos interesse em ver o que fariam as equipas de Lisboa, neste caso, Direito, Cascais, Técnico, CDUL e Belenenses, isto é, se estas teriam a capacidade para superarem os conjuntos estrangeiros e a selecção espanhola.
No que concerne à presença de Benfica, Académica e Rugby Vila da Moita na prova, creio que dificilmente assistiríamos a uma surpresa nos jogos das três equipas, prevendo-se uma participação mais modesta por parte destes conjuntos, que devem ser saudados por decidirem competir contra adversários tão fortes.
A disputarem os jogos de Sábado, a fase de grupos, estavam 14 emblemas, divididos por quatro grupos, dois contendo quatro equipas, dois contendo três clubes. No grupo A o grande encontro foi a partida entre o Cascais e o Direito (que a turma da Guia venceu), conjuntos que ocuparam o primeiro e o segundo lugar da classificação, respectivamente, e que foram claramente superiores aos irlandeses do Greystones e aos homens do Rugby Vila da Moita, últimos classificados mas capazes de darem boa réplica no jogo contra os visitantes da Irlanda.
O grupo B foi tão ou mais dividido que o A, pois a diferença que separava a equipa do Bath das demais só se atenuou no jogo contra os bravos atletas do CDUL, mais fortes que Benfica e Liceu Francês mas incapazes de derrotar os jogadores do gigante da formação inglesa, detentor do jogo com mais pontos de uma só equipa, a vitória face ao Benfica por 80-00. Aos 'encarnados' fica por certo a memória desta experiência, porque em termos de resultados, a sorte foi sem dúvida madrasta para os jovens do clube lisboeta, sem hipótese de vencerem as partidas do seu grupo.
Nos grupos C e D, séries com menos jogos que as outras acima mencionadas, assistimos ao domínio de dois conjuntos estrangeiros, a Selecção Nacional Sub17 de Espanha (grupo C) e o Crawshays (grupo D), bem mais fortes do que os outros quatro conjuntos, no caso da Espanha, algo um pouco à semelhança do que se passou com os Lobos Sub16. Dos restantes emblemas, salientamos a fragilidade do conjunto belenense, que sofreu duas derrotas pesadas no primeiro dia, sendo que este 'quinze', tal como o da Académica, sofreu bastante nos jogos contra os vencedores do respectivo grupo.
A fase final, que se realizou no Domingo, nos campos Adidas e TMN, começou com um Belenenses bem diferente, que ao obter duas vitórias assegurou o 12º lugar na classificação final, e mostrou-nos que as equipas do Liceu Francês e do Greystones não estavam tão fortes nos sub18 como tinham sido nos sub16, tendo ficado limitadas a competir pelo 9º, 10º e 11º lugares no ranking final do escalão.
Nos quartos de final, salvo os jogos envolvendo o Bath e o Crawshays (vitórias contundentes destas equipas), agora verdadeiramente favoritos a ocupar os lugares na final, assistimos a duas partidas renhidas. A primeira, em que o Cascais superou o Técnico, revelou dois participantes muito empenhados e capazes. A segunda, em que o CDUL foi derrotado pela selecção nacional espanhola, mostrou-nos algo que nos parecia, à priori, no mínimo improvável: os Leones podiam ser batidos e afastados da grande final.
As meias finais confirmaram a superior capacidade de Técnico e Direito, que se enfrentariam na final para o 5º e 6º lugar. A derrota do CDUL, às mãos dos jovens 'advogados' foi algo injusta para uma equipa que, nos 'quartos' podia ter ganho à Selecção da Espanha, mas premiou o esforço dos jogadores de Monsanto. Apurados para a final da prova foram, como seria de esperar, o Crawshays e o Bath, que teve na partida contra o Cascais um dos jogos mais difíceis (senão o mais difícil) de toda a sua participação no festival.
As finais foram bons jogos, com marcos como a vitória do CR Técnico (5º classificado) sobre o GD Direito, o quebrar (temporário) de uma tendência que desde os tempos de Tomaz Morais no clube vermelho-negro tem sido a regra. Não poderíamos terminar esta cobertura sem referir a equipa sensação (na nossa opinião) deste escalão, o Grupo Sportivo de Cascais, que terminou a sua prestação derrotando (em mais um "jogão") os Leones da Espanha (por um ponto apenas) e alcançando um excelente terceiro lugar.
O derradeiro encontro da prova foi uma boa partida, disputada pelos dois melhores 'quinzes' presentes no Complexo Desportivo do Jamor e vencida por uma equipa que não só engrandeceu, com a presença do seu emblema, as duas edições até aqui realizadas do Portugal Rugby Youth Festival, como mostrou argumentos no campo TMN mais do que suficientes para justificar a vitória, encerrando assim um festival fantástico, com poucos erros ou falhas a apontar e que produziu bons momentos de rugby, fazendo uma divulgação fundamental para o aumento do número de praticantes da modalidade neste país como nenhuma entidade até aqui havia realizado, no que concerne aos mais novos.